"Eis que ela aparece, sem aviso, sem uma batida na porta, silenciosa, nem percebemos, digo que é apenas um cansaço do dia-a-dia e a deixo de lado até a hora que sou dominada por completo por ela, sou então atingida por algo que parece ser uma cena de filme: um soco desferido em um arco perfeito no ar atingindo a face do oponente o nocauteando. Eis o mal do século, a depressão.
Quando se há depressão tudo vira rotina, tudo é repetitivo a ponto de vivermos num ciclo interminável de déjà vus, nada é mais vivido, apenas presenciado, como fossemos plateia de um programa, estamos lá apenas assistindo e não participando. As horas dormidas prolongam-se ou diminuem ao ponto de perdemos a noção do tempo que passa rapidamente ou lentamente diante de nós. Tudo vira uma cópia de uma cópia de uma cópia.
A mente fica inerte em pensamentos enquanto o corpo está atuando quase que involuntariamente, ele sabe o que fazer, já viu isso antes. A mente está distante, isolada em pensamentos onde o ceticismo e o pessimismo andam de mãos dadas descarregando intermináveis questionamentos negativos sobre o que há de vir pela frente. As piadas que você costumava rir, não tem graça nenhuma mais; os sonhos são cada vez mais inalcançáveis, o mundo perde sua cor, até o momento que tudo vira um padrão de tons de cinza.
E então você passa sua melhor maquiagem para dizer um simples “bom dia” na rua; as mascaras surgem para disfarçar a dor e agonia que vivemos no âmago, enquanto socialmente dizemos “está tudo bem”. Mas nada dura pra sempre. Assim como o castelo de areia levado pela maré alta da praia, tudo desmorona. Desatar a chorar parece uma boa alternativa agora, então vamos tentar; você segura sua cabeça entre as mãos e deixa sua alma sair pelas lágrimas; sua garganta dá um nó mais apertado do que o nó da corda da forca que você já pensou em fazer; e então você adormece, acorda um pouco melhor para reconstruir a mascara e seguir assistindo o mundo passar por você.
Depois de estar cansado de estar cansado, depois de acumular stress de uma vida em apenas um mês, depois da ansiedade e nervosismo atacar você constantemente, você pensa em jeitos de acabar com a dor. O pessimismo alia-se a sua criatividade e inventa as maneiras mais macabras da segunda opção, e não recomendável, de solução a isso. A primeira é perceber que não está sozinho nesse mundo, e você, por mais machucado que as pessoas te deixaram, pode procurar ajuda; o segundo seria acabar com o sofrimento da maneira que em minha opinião, não resolveria de forma alguma, pois não há uma segunda chance para tentar recomeçar, o suicídio.
Fiz este texto como forma de desabafo, por mais que minhas qualidades já se tenham perdido por falta de incentivo de minha cabeça, a escrita ainda não me abandonou e sei que ainda posso contar com ela para sair desse mundinho pessimista da minha cabeça. Se há alguém que compartilha o mesmo sentimento, a mesma realidade que eu, saiba você que não está sozinho nisso parceiro"
TEXTO DE LUIZA PADILHA